Cesaréa:aqueduto romano milenar de frente para o Mar Mediterrâneo e Akko (Acre)
Jerusalém-Cidade Antiga. Sagrada para 3 religiões e Tel Aviv, moderna e cosmopolita.
"Viajar para Israel?" "Enlouqueceu?", "Não tem medo de atentados?". Foram essas algumas das indagações que ouvi de amigos ao contar-lhes da decisão de vir a este destino que no imaginário brasileiro é apenas lugar de conflitos. Desmistificando: Israel é um pequeno-grande país. Histórico, democrático, cosmopolita, desenvolvido e lindo. Aqui, junto à minha família, me sinto absolutamente seguro.
Vivo há quase um ano neste jovem país de 60 anos. Surpreendendo-me a cada dia com sua diversidade cultural, humana e natural. Paisagens variam de montanhas nevadas (no inverno) a desertos que facilmente atingem os 45[sup]o[/sup]C. Praias paradisíacas, e uma de suas particularidades, o Mar Morto, localidade mais baixa do planeta. Tudo isto concentrado em uma área próxima à do menor estado brasileiro: Sergipe.
O país respira história e cultura. Neste entroncamento de três continentes, povos disputaram o lugar e aqui cravaram suas marcas. Em Cesaréa, um milenar aqueduto romano continua preservado. No meio do deserto pode-se visitar Massada, uma fortaleza, último foco de resistência dos judeus contra o império romano há 2 mil anos. Em Akko, é possível transitar pelo antigo e colorido mercado árabe e também contemplar um túnel templário.
Jerusalém é simplesmente o ponto forte da viagem. Sagrada para três religiões, lugar por onde transitaram Jesus Cristo, o rei David e o califa Omar. Um tesouro a céu aberto que nos dá a sensação de uma viagem no tempo.
A badalação fica por conta de Tel Aviv com seus excelentes restaurantes, bares e casas noturnas. Imperdível. O verão, com suas
leilót levanim (noites brancas), oferece diariamente, ao ar livre e até o dia amanhecer, concertos de música erudita, rock, raves. E o melhor: free!
"
Eizé safá atem medabrim?" Que idioma vocês estão falando? Já ouvimos diversas vezes a mesma pergunta em hebraico. O cidadão israelense ou "sabra" (uma alusão à fruta do cacto) é conhecido por ser espinhento por fora e doce por dentro, e parece adorar discutir. Contra esta
attitude há dois caminhos: contestá-lo no mesmo tom (quase nunca sai briga física) ou responder a pergunta acima: -"
portuguezit, anarrnu meBrazil" (Português, somos do Brasil). E, como numa metamorfose este se transforma e mostra seu lado doce, pois por aqui são quase todos devotos do Brasil. Capoeira, carnaval, telenovelas, Gal Costa, futebol... Tudo vira tema de uma conversa amistosa, que pode também ser em inglês.
Marcos Jacobovitz, 43 anos, pernambucano, cirurgião dentista, pesquisador da Hadassa Dental Medicine School, Universidade Hebraica de Jerusalem- Israel.
